Maior encontro do gênero da América Latina, o Anjos do Picadeiro oferece uma vasta programação, que inclui espetáculos, performances, intervenções públicas, oficinas, mesas-redondas e lançamentos editoriais – além de uma “virada” de 12 horas ininterruptas de espetáculos, em quatro espaços. O Encontro rompe pela primeira vez com seu caráter bienal. Esta também é a primeira vez que o Anjos do Picadeiro será realizado fora dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, numa clara iniciativa do grupo realizador,
Teatro de Anônimo, de descentralizar o encontro.
Um dos destaques do encontro será a
Palhaceata, uma grande caminhada performática com palhaços, cômicos, artistas em geral e simpatizantes, pautada na espontaneidade e irreverência. O evento vai acontecer no centro da cidade no dia 13 de dezembro, numa ação de visibilidade e mobilização da classe artística. Já o improviso marcará as noites do
Cabaré Faixa de Gaza, um conjunto de esquetes, jogos, performances e atividades com artistas integrantes do Anjos do Picadeiro. Haverá ainda os
Espetáculos de Gala, especialmente preparados para o Encontro e que reúnem grupos e encenadores participantes.
Entre as montagens da grade, espetáculos premiados como
Roda Saia, Gira Vida, do Teatro de Anônimo (Prêmio Mambembe) e o baiano
O Sapato do Meu Tio, dirigido por João Lima (Prêmio Braskem de Teatro). Os grupos Lume Teatro (SP), Seres de Luz (SP) e Etc e Tal (RJ) também mostram suas produções nos espaços da cidade, como praças e teatros. Entre as performances internacionais, Hilary Chaplain (EUA) se apresenta no Circo Picolino, onde funciona a ativa escola circense, com viés sociocultural; Loco Brusca (Espanha) mostra seu espetáculo para os transeuntes e platéia da Praça da Sé; Gardi Hutter (Suíça) ocupa o Teatro Sesc-Senac Pelourinho; e Leo Bassi (Espanha) leva seu humor cáustico ao Teatro Castro Alves.
Já o Passeio Público receberá o
Overdoze, uma virada artística inédita em Salvador, com uma programação ininterrupta de espetáculos, encontros, atividades e performances dos artistas que integram o Anjos do Picadeiro e convidados especiais. O local será transformado em um “complexo” de quatro espaços: o palco principal e o cabaré do Teatro Vila Velha, a semi-arena da área externa (Espaço 2) e a Lona Petrobras, especialmente construída para abrigar parte da programação do encontro e que funcionará como ponto de encontro do Anjos do Picadeiro. O
Overdoze contará com cerca de 50 performances, que se dividem por 12 horas de programação simultânea nos quatro espaços.
Ampliação – “Esta realização é a possibilidade e a certeza da ampliação das fronteiras dessa grande rede, que completa 11 anos e só faz crescer. O
Anjos em Salvador é a perspectiva de estar mais perto de fazedores e de um tipo de fazer emblemático na comicidade nacional", assinala João Carlos Artigos, ator-palhaço e diretor de produção do Teatro de Anônimo. Na Bahia, o consolidado grupo carioca realiza o encontro em parceria com a Selma Santos Produções. O patrocínio é da Petrobrás e da Funarte (através do Prêmio Carequinha de Estímulo ao Circo) e apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura.
Entre as muitas atrações da sexta edição do Anjos do Picadeiro, os renomados convidados internacionais apresentam diferentes visões e estéticas da comicidade. São eles: Hilary Chaplain (EUA), Gardi Hutter (Suíça), Léris Colombaioni (Itália), Djammal (Portugal), Leo Bassi (Espanha), Loco Brusca (Espanha), Pépe Nuñez (Espanha), Ângela de Castro (Brasil/Inglaterra), Chacovachi (Argentina), Maku Jarrak (Argentina), Aziz Gual (México) e Oscar Zemmerman (Chile). Além das apresentações, a maioria deles – um total de oito – vai ministrar oficinas, numa rara oportunidade para os artistas e pesquisadores entrarem em contato com linguagens distintas da comicidade.
João Carlos Artigos enfatiza que a formação artística e o intercâmbio de experiências é um dos pontos-chave do fazer do Teatro de Anônimo e, conseqüentemente, um dos pilares do Anjos do Picadeiro. Na lista de participantes nacionais, nomes marcantes na definição do cenário brasileiro da arte do riso praticada em palco, circo ou rua, vindos dos estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Pernambuco, Alagoas, Ceará, Brasília e Bahia.
São grupos como Intrépida Trupe (RJ), Parlapatões, Patifes e Paspalhões (SP), Centro Teatral Etc e Tal (RJ), Lume Teatro (SP), Seres de Luz Teatro (SP), Tchesco (RJ), Seres de Luz Teatro (SP), Circo Picolino (BA), Coletivo Nopok (RJ), Pé de Vento Teatro (SC), Namakaca (SP), Circo Pindorama (PE) e Cia. do Giro (RS), além do Teatro de Anônimo. Além das companhias, artistas que desenvolvem trabalhos individuais, duplas de palhaços e até famílias de circo, como a Turma do Biribinha (AL), que tem pai e filhos entre os integrantes e mantém a tradição do circo há 46 anos.
Programação - “Este é o espírito do Anjos do Picadeiro: reunir as diversas facetas da nossa arte, dos velhos palhaços de circo a comediantes formados nas escolas”, cita Artigos, ressaltando que o encontro tem fortalecido a reflexão acerca da figura do palhaço e da comicidade em geral. A sexta edição não será diferente. As mesas-redondas, por exemplo, discutem temas relacionados a processos de criação, viabilização, economia, mercado, memória e registros da arte do riso. As discussões são sustentadas por pesquisadores e artistas, numa rica troca de vivências que o encontro internacional promove, gerando reflexões em torno dos modos de pensar e fazer dos artistas cômicos.
Não à toa, o Anjos do Picadeiro alia às atividades reflexivas o lançamento de títulos que documentam e analisam a comicidade. Em Salvador, serão lançados três livros importantes de pesquisadores brasileiros. Um deles é
Circo Nerino (de Verônica Tamaoki e Roger Avanzi). O livro recupera a trajetória da companhia que, de 1913 a 1964, encantou platéias de vários cantos do Brasil e entrou para a memória do circo. Ricamente ilustrada, a obra conta inclusive com fotos do celebrado antropólogo Pierre Verger.
Outro lançamento é
Circo-Teatro: Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil, no qual a autora Ermínia Silva resgata sagas de famílias circenses européias – tendo como figura central Benjamim de Oliveira, que além de proprietário de circo era palhaço, acrobata, encenador e músico. Já
O Elogio da Bobagem – Palhaços no Brasil e no Mundo, de Alice Viveiros de Castro, faz uma profunda imersão na representatividade da figura do palhaço através do tempo. São reflexões que ecoam diretamente na rica programação artística do Anjos do Picadeiro, como espetáculos, performances e intervenções públicas espalhadas por vários pontos da cidade.
Anônimo - Comemorando uma trajetória de 20 anos dentro do panorama das artes cênicas brasileiras, o grupo Teatro de Anônimo colocou Salvador na rota de suas atividades de apresentação e discussão sobre a comicidade. Só este ano, a trupe apresentou na cidade dois espetáculos (
Roda Saia, Gira Vida e
Homem Bomba), realizou intervenções artísticas, participou de debates e lançou a revista da quinta edição do Anjos do Picadeiro. Coroa a série de atividades com o sexto Encontro Internacional de Palhaços, em sua estréia no Nordeste. Com nove espetáculos no seu repertório, o Teatro de Anônimo já atingiu a marca de mais de 1 milhão de espectadores, entre Brasil, Espanha, Canadá, Itália, Suécia, Argentina e Mônaco.
Além da realização de montagens, o grupo promove a aglutinação e multiplicação de artistas, platéias, pesquisadores e aspirantes no ofício da arte do riso. Seu campo de atuação inclui educação e formação (através de projetos sociais e das oficinas de circo, teatro, comicidade popular e produção) e articulação (fundou a Cooperativa de Artistas Autônomos – CASA com mais outros dez grupos de cultura popular e é sócio-proprietário de dois espaços cênicos no Rio de Janeiro: Espaço Teatro de Anônimo e a Casa Mercado 45). A trupe criou e desenvolve projetos como o Território Cultural (com ações em comunidades do Rio de Janeiro) e o próprio Anjos do Picadeiro, evento que chega à sua sexta edição com fôlego e status consolidado.