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Por Bruno Magrani

Foi
lançado recentemente em São Paulo o movimento "Copiar
Livro é Direito!". O movimento, que é promovido
por estudantes universitários, tem por objetivo garantir
a estudantes de todo o Brasil o direito de fazer fotocópias de
partes de livros.
O
movimento surgiu como resposta às ações
da Associação
Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR) que tem
processado universidades e diretórios
acadêmicos pela realização de fotocópias
de livros. Só no ano de 2005, foram realizados 158 pedidos de
busca e apreensão de fotocópias de livros nas
universidades.
Segundo
a Lei de direitos autorais brasileira, não constitui ofensa
aos direitos autorais "a reprodução, em um só
exemplar de pequenos trechos, para uso privado do copista, desde que
feita por este, sem intuito de lucro". A falta de definição
sobre quanto poderia ser considerado "pequenos trechos" acaba
gerando uma situação de insegurança para os
estudantes e dá ensejo a abusos por parte de associações
de editores como a ABDR. O
Cultura Livre entrevistou Fernando Oshima, Presidente do Diretório
Acadêmico Getulio Vargas que representa os alunos de
Administração e Economia da FGV-SP e um dos líderes
do movimento:
Como surgiu o movimento?
O
Movimento surgiu no final de Novembro, após o DAGV ter
recebido um Mandado Judicial de Intimação requerido
pela ABDR. Através dela, uma perícia foi realizada no
sentido de angariar provas para a ação principal que
foi ajuizada contra nós. Assim, estudantes da USP, do
Mackenzie e da FGV se juntaram para constituir o Movimento Copiar
Livro é Direito. É importante ressaltar que toda o
embasamento teórico do atual Movimento é reflexo do
trabalho anterior realizado por um Grupo de Trabalho de alunos da
FFLCH, responsáveis pela resolução 5213 de Junho
de 2005 do Conselho Universitário da USP, que regulamentava a
cópia de livros dentro do campi da USP.
Como
ocorreu a ação da ABDR na sua universidade?
Fomos
abordados inesperadamente com o Mandado de Intimação,
pois após a Portaria 55/2005 do Presidente da Fundação,
idêntica à Resolução do Conselho
Universitário da USP, acreditávamos que poderíamos
continuar com nossas atividades normalmente, desde que respeitada à
lei (cópia de capítulos ou artigos em torno de, no
máximo, 10%. Cópia integral apenas de obras
estrangeiras indisponíveis no mercado, de obras de domínio
público ou de obras esgotadas sem republicação
há mais de dez anos). A vistoria de todo o material contido
nas pastas de professores se deu por mais de quatro horas. Todo
material foi catalogado e algumas cópias foram extraídas
para uso da ABDR.
Quanto um aluno universitário gastaria
se tivesse que comprar todos os
livros indicados pelos
professores?
Dois
estudos diferentes foram feitos. Um deles é uma estimativa do
custo dos livros do 1º Semestre de Administração
de Empresas na FGV-SP, apenas constante na bibliografia obrigatória.
O valor estimado, caso o aluno adquirisse todas as obras, seria de
R$2.145,95. Sendo que das 66 obras consultadas, 30 não estavam
disponíveis no mercado. Outro estudo foi feito para um aluno
do 1º semestre do curso de Ciências Sociais da USP, também
apenas com a leitura obrigatória. O custo total deste semestre
é de R$1.206,50, sendo que mais de 30% das obras têm
tiragem esgotada.
Como
você acha que a campanha da ABDR afetará a educação
universitária brasileira e o acesso ao conhecimento?
As
ações da ABDR já têm afetado negativamente
as atividades acadêmicas nas universidades. Não se trata
apenas de prejuízos para nós estudantes, mas também
para professores e pesquisadores que passam a ter um direito
constitucional violado. O efeito não é só
prático, isto é, na dificuldade de se encontrar as
obras necessárias em bibliotecas e livrarias, ficando o
estudante sem o material didático necessário, mas
também do abuso da ABDR em sua leitura cartesiana da lei que
ludibria e assusta inúmeros cidadãos.
Quais
ações estão previstas pelo movimento e quais os
planos para o futuro?
Precisamos, primeiramente, divulgar o
Movimento para todo o país. Após a consolidação
de nossa base, através da convocação de outros
Centros e Diretórios Acadêmicos, bem como de políticos,
acadêmicos e especialistas no assunto, realizaremos seminários
para propagar nossa bandeira (a defesa do livre acesso à
cultura, ao conhecimento e à informação,
materializadas na fotocópia de obras). Uma cartilha no formato
perguntas e repostas também está sendo desenvolvida
para esclarecer as perguntas mais freqüentes dos estudantes e
dos proprietários de reprográficas.
-x-
O
manifesto do movimento, que pode ser encontrado neste link, já conta com a assinatura de diretórios acadêmicos
e com o apoio de universidades e instituições brasileiras de
pesquisa, entre eles:
Signatários
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Centro Acadêmico Direito GV (FGV-SP)
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Centro Acadêmico Nove de Setembro (São Judas/Administração)
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Centro Acadêmico XI de Agosto (USP/Direito)
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Centro Acadêmico 22 de Agosto (PUC/Direito)
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Centro Acadêmico Visconde de Cairu (USP/FEA)
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Diretório Acadêmico de Administração FGV - Rio
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Diretório Acadêmico Eugênio Gudin (Mackenzie)
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Diretório Acadêmico Getulio Vargas (FGV-SP/EAESP e EESP)
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Diretório Acadêmico Ibmec - RJ
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Representantes Discentes da USP
Parceiros
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